No dia 12 de dezembro de 2023, os alunos da equipa 5 participaram numa saída de campo, “Roteiro Geocultural”, integrada num projeto interdisciplinar.
O roteiro teve como objetivo conhecer no terreno, alguns aspetos da geologia da Madeira do Concelho de Machico (Pico do Facho e Ponta de São Lourenço) e a sua importância para o conhecimento da formação da ilha; reconhecer a relevância de proteger determinadas paisagens como geossítios e ecossítios e promover o trabalho em equipa.
O primeiro geossítio visitado foi a pedreira do Pico do Facho, uma extração de pedra que esteve ativa durante os anos 70 e foi desativada em 1986. Nesta observamos um filão e disjunções colunares.
Seguidamente continuamos o percurso até ao Miradouro do Pico do Facho, localizado a uma altitude de 280 metros e que nos permite ter uma vista panorâmica da cidade de Machico, dos picos montanhosos do centro da ilha, assim como da Ponta de São Lourenço, na ponta oriental da ilha e das ilhas desertas a sudeste. O Vale de Machico, é um lugar de grande significado histórico e beleza natural, além de ser muito espaçoso e extenso é um dos mais antigos vales da nossa ilha.
No percurso para o Caniçal, pudemos observar do autocarro, uma pedreira com uma rocha vermelha-acastanhada específica da Madeira, a “cantaria refratária”, também vulgarmente chamada de “cantaria mole”, rocha utilizada na construção dos fornos tradicionais madeirenses, destinados à cozedura do pão caseiro.
Já na Ponta de São Lourenço paramos para almoçar na base do Monte da Piedade. Após a hora de almoço, ficamos mais um pouco no local, onde pudemos observar os tipos de rochas ali à volta e conversar sobre a festa da Nossa Senhora da Piedade. Este Monte é um cone vulcânico representativo do vulcanismo mais recente da nossa ilha. Da Marina da Quinta do Lorde é possível observar a sua chaminé, por onde foram expelidos os piroclastos que construíram o cone.
Depois prosseguimos até às dunas da Piedade onde observamos e fotografamos as areias eólicas, de cor mais clara que as outras areias da nossa ilha, devido à presença de materiais claros como conchas e outros fósseis; as “rizoconcreções” em forma de raízes e as “crostas calcárias”, também chamadas “laginhas de cal”, formadas a partir da precipitação do calcário dissolvido nas águas. Estas formações encontram-se interestratificadas nas areias e outros materiais que formam as dunas, sendo bem visíveis em muitos locais à beira da estrada. Neste local, observamos também, a produção de energias renováveis como a energia solar, com painéis virados a sul e a energia eólica, com torres localizadas nas zonas mais altas onde o vento norte se faz sentir mais forte.
Ao longo de todo o percurso, tiramos fotografias de diferentes materiais que classificamos de acordo com critérios aprendidos nas aulas de Físico-Química, os quais foram posteriormente agrupados com base em propriedades comuns.
O último geossítio visitado foi o Miradouro da Ponta do Rosto. Ali pudemos verificar a erosão avançada daquelas rochas e os filões que ainda as mantêm de pé. Este local é um ponto turístico muito apreciado por quem nos visita, pois também permite, no seu percurso, avistar o relevo acentuado e a beleza paisagística da costa norte.
Todos os dados recolhidos foram alvo de trabalho interdisciplinar e encontram-se expostos no corredor da escola entre 12 e 15 de março.
Júlia Nóbrega, Vitória Coelho, Leandro Leal, Álvaro Teixeira, Sofia Teixeira, Helena Abreu e Santiago Garcia, 7º2
Paulo Ferreira, 7º3